Ceará

Forquilha: criadores de porcos seguem sem poder comercializar seus animais após surto de peste suína

“Acabou-se tudo. Eu não tive como fazer nada; os porcos eram tudo que eu tinha”, lamenta o agricultor Paulo Melo, ao visitar a pocilga onde criava, há 14 anos, cerca de 268 suínos, sendo 116 leitões já separados para comercialização no município de Forquilha, na região Norte do Estado.
O criador foi pego de surpresa ao presenciar a morte rápida de diversos suínos em sua propriedade na primeira quinzena de outubro deste ano. Segundo o agricultor, os primeiros sintomas surgiram em animais de uma propriedade vizinha, logo atingindo sua criação. A confirmação para peste suína foi dada pelo Laboratório Agropecuário Nacional do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Peste
Esse foi o primeiro foco de Peste Suína Clássica (PSC) detectado no município de Forquilha depois de 8 anos sem relatos da doença na região. O Mapa, juntamente com a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará (Adagri), enviou técnicos à localidade de Mulungu, foco do surto, para a adoção dos procedimentos necessários que impedissem o possível avanço de novos casos. De acordo com o Ministério da Agricultura, a doença, confirmada na propriedade de seu Paulo Melo e dos demais criadores, atacou animais criados para consumo familiar e de pequena circulação no município. Quase 300 animais foram sacrificados pela Polícia Ambiental e descartados em valas.
Perda
Ao longo do trabalho de fiscalização dos órgãos responsáveis, a área onde os casos foram confirmados foi isolada em um raio de 40 quilômetros. O caso de PSC foi informado à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Cerca de dois meses depois, o sentimento de perda ainda toma conta do agricultor Paulo Melo, que ficou sem sua principal fonte de renda. “Foi muito rápido, da noite para o dia os animais morreram sem que pudéssemos fazer nada, apesar da medicação dada. Não intendo isso, porque sempre vacinei meus animais e cuidei bem deles. Morreram todos, adultos e filhotes”, explica o agricultor, que diz ter ficado traumatizado com a perda.
Comercialização
Em uma fazenda nas proximidades, Flávio Rodrigues teve mais sorte, já que nenhum de seus animais foi afetado. “Ficamos todos com medo, mas até hoje nenhum dos porcos foi atingido pela doença”, diz o criador, atribuindo à vacinação constante e ao cuidado na escolha com a ração, itens indispensáveis à sobrevivência seus animais. O ruim, é que desde o surto, nenhum animal pode ser comercializado no município. “Não temos vendido mais nada. As pessoas ainda não querem comprar, com medo da doença. Então utilizamos para consumo próprio, aguardando a liberação para começarmos as vendas”, espera Flávio Rodrigues.
Doença
Segundo o Ministério da Agricultura, a Febre do Porco é uma doença viral contagiosa que afeta somente suínos domésticos e selvagens, não oferecendo riscos à saúde humana. O mal se manifesta por cerca de 10 dias no animal acometido que, entre diversos sintomas, apresenta tremedeiras, manchas pelo corpo, respiração pesada e dificuldade de locomoção, chegando a morrer. Após a sorologia e confirmação de casos, os suínos devem ser sacrificados. “A doença não traz riscos para o homem. Mesmo assim, essa carne não pode ser comercializada, mesmo após um tempo de isolamento preventivo”, lembra Roberto Machado, zootecnista da Secretaria de Agricultura de Forquilha.
Prazo
Segundo Elenira Pinheiro, secretária de Desenvolvimento Rural, Meio Ambiente e Pesca de Forquilha, “o município hoje está mais tranquilo, depois do processo de fiscalização e orientação aos criadores sobre toda a situação. Já tivemos a liberação da Adagri para comercialização da carne suína, mas fica impedida a venda de animais vivos”, diz a secretária, e finaliza. “O prazo dado pelo Ministério da Agricultura para liberar o transporte de animais foi de 12 meses. Seguimos com o atendimento aos criadores que foram afetados, impedidos de criar esse tipo de animal por ainda seis meses. Após as medidas de contenção e segurança, não registramos mais nenhum caso de peste suína. Uma das orientações dadas se refere, tanto a higienização completa dos ambientes de criação, quanto a determinação de mantê-los presos”, disse.
Marcelino Júnior, Diário Zona Norte

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