Ceará

Polícia Civil investiga golpe de sexo virtual que vitimou três pessoas no Ceará

A Polícia Civil investiga um golpe de sexo virtual que fez três vítimas no Ceará. As abordagens são realizadas pela rede social Facebook e a vítima é atraída por um perfil de mulher que faz contato por meio pelo messenger. "Ela" estimula o internauta a compartilhar um vídeo com imagens íntimas. O conteúdo é gravado e tem início a prática de extorsão. Os casos que estão sendo acompanhados são deste ano e estão sob a investigação do Departamento de Inteligência Policial (DIP).
O POVO apurou com uma fonte da Polícia Civil como funciona a ação do grupo criminoso: a vítima recebe um convite de amizade de um perfil falso que apresenta uma jovem. Os dois iniciavam uma conversa, mas ao invés da moça, na verdade, estão os responsáveis pelo golpe. De acordo com a fonte, o grupo convida pessoas mais velhas para o sexo virtual e utiliza um aplicativo que simula um vídeo na Webcam. A vítima visualiza as imagens da mulher se despindo, mas o vídeo é uma gravação tão perfeita, que é quase imperceptível perceber o golpe.
Depois que a vítima passa a tirar a roupa e começa a se manipular, "ela" encerra a conversa e exige a quantia de R$ 20 mil. O grupo ameaça divulgar o vídeo íntimo no mural da pessoa, caso a vítima não pague o valor. Os criminosos ainda ameaçam divulgar o vídeo pelo perfil fake acusando a vítima de ser um pedófilo e que enviou aquele vídeo para o filho dela.
Uma das vítimas no Ceará é um homem de pouco poder aquisitivo e que pagou R$ 200 após cair no golpe. Como uma espécie de "amostra grátis" e de demonstração do mal que ela poderia praticar, o perfil fake envia uma mensagem no privado de outra pessoa com o vídeo da vítima. Ela manda um print (uma espécie de fotografia da página) do momento do envio do vídeo. Conforme a fonte ouvida pelo O POVO Online, a extorsão continua mesmo que a vítima pague o valor exigido, no dia seguinte a pessoa volta a receber as mesmas ameaças com novos pedidos de dinheiro.
Lei
Esse crime pode ser enquadrado em um novo tipo penal, o artigo 218-C do Código Penal Brasileiro, que consiste em ”oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, vender ou expor à venda, distribuir, publicar ou divulgar, por qualquer meio - inclusive por meio de comunicação de massa ou sistema de informática ou telemática -, fotografia, vídeo ou outro registro audiovisual que contenha cena de estupro ou de estupro de vulnerável ou que faça apologia ou induza a sua prática, ou, sem o consentimento da vítima, cena de sexo, nudez ou pornografia”.
Extorsão sexual
Duas prisões envolvendo casos de extorsão sexual no Ceará foram registradas desde que a lei foi regulamentada. Uma dessas prisões aconteceu em maio de 2019. Uma mulher foi vítima de extorsão por três anos depois de enviar fotos íntimas para um companheiro. Com o fim do relacionamento, José Eudênio de Sousa Rodrigues, de 37 anos, passou a exigir dinheiro e perfumes para não expor a intimidade da vítima. Ele foi preso no dia 14 de maio, no terminal da Parangaba, em Fortaleza, depois de receber R$ 100 e dois perfumes. A prisão aconteceu em menos de sete dias da denúncia. A mulher relatou à Polícia Civil que as fotografias foram realizadas sem a permissão dela e que o Eudênio ameaçava divulgar as imagens para os familiares da mulher.
A segunda prisão aconteceu no dia 30 de maio, em Maranguape, depois que uma menina de 13 anos de idade foi chantageada para que enviasse fotos intimas, caso contrário, uma outra imagem que ela havia enviado seria divulgada. Francisco Márcio Teixeira de Lima, de 20 anos, foi preso em ação da Delegacia de Maracanaú. Aparelhos celulares foram apreendidos e Márcio foi autuado por armazenar fotografias de cunho pornográfico e instigar criança a praticar ato libidinoso.
Estelionatário do amor
Com o apelido de "estelionatário do amor", João Luiz Melo de Souza é suspeito de enganar mulheres no Ceará, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Distrito Federal. O cearense utilizava as redes sociais Tinder e Facebook para conquistar mulheres e extorqui-las. As vítimas criaram grupos onde relatam as experiências e os prejuízos que variam de R$ 8 mil a R$ 100 mil.
Fingindo ser um servidor da Abin ou oficial do Exército Brasileiro, o homem abordava as vítimas, iniciava relacionamentos e aplicava golpes. Ele foi preso pela primeira vez em 2016. Há vítimas que fizeram empréstimos de até R$ 100 mil. Essas mulheres reuniram-se em um grupo no Facebook chamado Estelionato Amoroso, onde relatam informações sobre os respectivos processos. A última prisão de João Luiz aconteceu em São Paulo, no mês de março de 2019.
De acordo com a Polícia Civil de São Paulo, durante as investigações foram identificadas vítimas que denunciaram a prática do homem, de obter fotos íntimas das vítimas e extorqui-las em troca de não divulgar as fotografias. As informações são da Polícia Civil de SP.
Proteção
Segundo o delegado Julius Bernardo, da célula de inteligência cibernética do Departamento de Inteligência Policial (DIP), é necessário desconfiar de pessoas que nunca viram e que procuram conversar por meio das redes sociais. "Aquela pessoa bonita pode não se chamar por aquele nome e nem estar interessada em você. Não confie em alguém que não conhece e não mostre a imagem do seu corpo para quem nunca viu. Existem sites profissionais para isso", relata.
Para o delegado, por mais que a orientação principal seja não enviar fotos íntimas, as pessoas não seguem. Ele relata que, neste caso, ao receber ou enviar o conteúdo é necessário a percepção que aquele material está armazenado no celular e que o aparelho pode ser roubado.
Ao receber imagens íntimas é importante apagar, não só do WhatsApp, mas da mídia do celular. Há também um aplicativo que cria uma pasta com uma senha e o conteúdo fica criptografado. E no caso de se tornar vítima de uma extorsão sexual, o delegado orienta que as pessoas procurem à Polícia imediatamente. O Boletim de Ocorrência (B.O) pode ser realizado em qualquer delegacia.
O Povo

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