Ceará

Venda de Autódromo deve extinguir o automobilismo cearense

Único equipamento apto para corridas no Estado, o equipamento sediado no Eusébio será colocado à venda pelo Governo e ameaça a continuidade de eventos de carros, motocicletas e bicicletas, que ocorrem desde 1969
No momento em que completa 50 anos, o Autódromo Internacional Virgílio Távora, localizado no município do Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza, está com o futuro indefinido, o que ameaça a continuidade do automobilismo cearense. Palco de pilotos como Nelson Piquet e recebendo provas de Stock Car e Fórmula Truck, o único circuito de corrida do Ceará foi colocado à venda pelo Governo do Estado após um projeto de lei que permite a comercialização com a iniciativa privada de imóveis estatais que estivessem "subutilizados" e que gerassem altos custos.
A proposta do governador Camilo Santana tramitou em regime de urgência, ontem, na Assembleia Legislativa, sendo aprovada em votação que terminou com 26 deputados estaduais a favor e três contra.
Inaugurado em 12 de janeiro de 1969, o autódromo foi construído com investimento privado e adquirido pelo Estado em 1993. Mas passou os últimos 20 anos sob a administração da Federação Cearense de Automobilismo (FCA), que se responsabiliza pela manutenção e marcação de provas.
As atividades no equipamento estão suspensas desde o dia 22 de abril, quando a Secretaria do Esporte e Juventude (Sejuv) solicitou o cancelamento de todos os eventos pré-agendados para 2019, por tempo indeterminado, até que questões administrativas fossem solucionadas.
A medida foi realizada para que o Governo reassumisse o controle da pista de corridas. Com 15 provas realizadas até o período, a FCA informou que 20 eventos estão paralisados devido ao imbróglio e passíveis de encerramento. O presidente da entidade, Lutianne Dantas, declarou também que a organização tinha um custo de R$ 15 mil mensais no autódromo - sem auxílio do Governo - e que foi surpreendido com a decisão de venda, uma vez que estava atendendo às solicitações documentais.
"A Federação não foi contatada em nada, e o próprio secretário de Esporte não sabia da venda. A primeira solicitação foi a matrícula do imóvel, fizemos buscas na região do Eusébio e a localizamos. Depois queriam um projeto de bombeiros. Viabilizamos isso. O próximo passo seria a reabertura do autódromo porque tínhamos cumprido com tudo que foi pedido", explicou o dirigente.
Para além das corridas de carro, incluindo rachas e veículos de arrancadas, o Autódromo Virgílio Távora está apto a competições de Off-Road, Fórmula Truck, Fórmula 3, motocicletas e bicicletas, reunindo uma média de três mil pessoas por evento. A pista também é utilizada pelo Governo para treinamentos das forças de segurança motorizadas e do Corpo de Bombeiros.
Futuro
Com 40 dos 52 fins de semana do ano ocupados com provas, um impedimento de corridas no Autódromo Internacional Virgílio Távora coloca em xeque a prática esportiva. O local mais apropriado para provas oficiais está localizado na cidade de São Miguel de Taipu, na Paraíba, distante 690 km da capital cearense. Para evitar a venda do equipamento, a Prefeitura do Eusébio manifestou interesse em adquirir o autódromo assumindo todas as despesas e impondo uma cláusula de que a finalidade do espaço nunca poderia ser alterada.
Por meio de nota, a Sejuv declarou que "se compromete a estudar uma alternativa para a questão do Autódromo Internacional Virgílio Távora junto às entidades ligadas ao tema".
Uma reunião entre FCA e representantes do Governo deve ocorrer nas próximas semanas para vislumbrar outro local que possa receber provas.
Alexandre Mota, DN

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