Brasil

Inteligência artificial fez um burro chegar à presidência da República, diz secretário da CSI

Víctor Báez, da Confederação Sindical Internacional (CSI), critica o mau uso das tecnologias. Congresso da CUT debate integração internacional para enfrentar a "uberização" do trabalho
A luta dos brasileiros em defesa da democracia e a resistência à prisão política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva devem ser encaradas como batalhas globais pelo reequilíbrio na correlação de forças no mundo do trabalho. O papel do mau uso das tecnologias pelo empresariado e as granes corporações e novas formas de organização dos sindicatos para que possam atingir os novos trabalhadores surgidos da precarização das relações profissionais estivaram no centro dos debates que antecedem, nesta segunda-feira (7), a abertura do 13º Congresso Nacional da CUT, em Praia Grande, litoral de São Paulo.
Dezenas de representantes sindicais da América Latina, África, Ásia e Europa participam do evento na manhã de hoje. O sindicalista paraguaio Víctor Báez, secretário-geral adjunto da Confederação Sindical Internacional (CSI), ao mencionar o maus uso das novas tecnologias pelo empresariado, citou de maneira ácida os impactos da inteligência artificial na eleição brasileira: “A inteligência artificial é uma ferramenta que fez um burro chegar a presidência da República”, disse, referindo-se a Jair Bolsonaro. A CSI reúne entidades sindicais que representam 175 milhões de trabalhadores em 155 países.
“A inteligência artificial está nos fazendo acreditar que para ser embaixador do Brasil é preciso saber fritar hambúrguer”, disse o dirigente, numa crítica a indicação de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente , à embaixada brasileira nos Estados Unidos. Báez faz uma alusão ao papel da indústria de fake news disseminadas a partir de redes sociais como Facebook (nos Estados Unidos e Grá-Bretanha) e WhatsApp (Brasil), tendo como alicerces os perfis psicológicos do eleitorado usuário dessas redes, construídos a partir de ferramentas tecnológicas de monitoramento de comportamentos.
O ex-banqueiro e executivo de mídia norte-americano Steve Bannon, estrategista da campanha de Donald Trump e tido como uma dos disseminadores do neofascismo pelo mundo, foi um dos ideólogos colaboradores do uso do chamado big data nas eleições brasileiras.
A vice-presidenta da CUT, Carmen Foro, observou que o mundo caminhando para mais retrocessos aos direitos da classe trabalhadora, e que os planos do governo Bolsonaro de destruição do sindicalismo brasileiro e os direitos sociais e trabalhistas devem chama a atenção do mundo e atraem a solidariedade internacional. “Precisamos da amizade que construímos ao longo da história da CUT com as organizações internacionais que compreendem o momento que passamos sob um governo de extrema-direita que tira direitos dos trabalhadores, ataca os jovens, as mulheres e os indígenas”, afirmou Carmen.
Redação RBA

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