Ceará

Equipe de falsos médicos atuava em Baturité havia dois anos

Operação policial prendeu duas pessoas por atuarem ilegalmente na profissão. A suposta equipe de saúde trabalhava nos plantões da Unidade Municipal de Pronto Atendimento. Outros dois suspeitos estão foragidos
A operação "Filhos de Hipócrates", que investiga a atuação de pessoas sem formação adequada em atividades de saúde no Município de Baturité, descobriu que a suposta equipe médica a qual atuava na Unidade Municipal de Pronto Atendimento (Umpa) da cidade realizou procedimentos durante dois anos, entre 2017 e 2019. A Polícia Civil do Ceará cumpriu, ontem, quatro mandados de prisão preventiva e quatro de busca e apreensão em cinco cidades.
Os suspeitos de atuarem como falsos médicos são dois estudantes de medicina (um do primeiro semestre, mas com formação em enfermagem e outro do terceiro semestre), além de duas pessoas com formação no exterior, mas sem revalidação do diploma no País - obrigatoriedade que os impede de atuar na profissão. A Polícia Civil informou que não irá divulgar os nomes dos envolvidos para não "comprometer as apurações policiais".
Os estudantes de medicina foram capturados, respectivamente, nos municípios de Sobral e Paraipaba. Os outros dois suspeitos são considerados pela investigação, como foragidos da Justiça. Além deles, a Polícia Civil tentou cumprir um mandado de afastamento das funções do diretor clínico da Umpa de Baturité. Ele ficaria impedido de ter acesso ao equipamento de saúde, mas não foi localizado e informado da decisão até o fechamento desta reportagem.
A Secretaria da Saúde de Baturité publicou nota de esclarecimento sobre o caso e disse que está colaborando com as autoridades policiais sobre a atuação dos falsos médicos. O órgão ressaltou que realizou Boletim de Ocorrência (B.O.) e está acompanhando as investigações. A Pasta completou dizendo que "o município zela pela legalidade, responsabilidade e respeito tanto aos profissionais quanto à população assistida por nossas unidades de saúde", completou a Secretaria da Saúde de Baturité.
Investigação
Conforme informações prestadas pelo titular da Delegacia Regional de Baturité, Joel Morais, os falsos médicos usavam "CRMs (número do registro no Conselho Regional de Medicina) quentes, arrecadados na rede mundial de computadores e, a partir de então, começavam a clinicar utilizando este número do registro".
Eles são investigados por crimes como estelionato, peculato, falsidade ideológica e identidade falsa. As apurações tiveram início após uma denúncia que apontava a atuação de um estudante de medicina como profissional em um hospital da cidade de Mulungu.
Além disso, um médico suspeito de integrar a falsa equipe de saúde foi detido há um mês; ele teve a sua prisão prorrogada pela Justiça com a deflagração da "Filhos de Hipócrates". Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social, esta investigação ocorre de forma separada pois ela apura "as circunstâncias da morte de um idoso que foi atendido por um médico credenciado, mas o profissional saiu do plantão em que estava e deixou alguém não habilitado em seu lugar".
Exercício ilegal
O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) informou, em nota, que, entre 2015 e 2019, foram instaurados 17 processos sobre "exercício ilegal da medicina, arte dentária ou farmacêutica". Deles, pelo menos 14 estão pendentes em janeiro deste ano. Ao todo, 17 tramitam no 1º grau e um no 2º, após recursos. O ano com maior número de processos relacionados à atividade ilegal das profissões de saúde foi 2016, quando foram instaurados nove procedimentos no Tribunal de Justiça.
Operação da Polícia Civil visou desarticular um grupo criminoso que atuava em unidades de saúde do interior do Estado, embora não tivesse a formação necessária para isto.
Diário do Nordeste

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